“O Morro dos Ventos Uivantes” (2026) já estava dando o que fala antes mesmo de sua estreia. O longa dirigido por Emerald Fennell não trouxe as aspas em seu título à toa, ele tem como proposta criativa retratar nas telas o imaginário popular sobre sua lembrança mais íntima com a obra original de Emily Brontë.

O filme incomoda, instiga, seduz e emociona na mesma medida e divide opiniões não por sua qualidade técnica, está é inegável; mas por não fazer jus ao que os apaixonados por essa história esperavam, ou imaginavam.
Enquanto “O Morro dos Ventos Uivantes” de Emerald Fennell acerta na química impecável de Jacob Elord e Margot Robbie neste romance gótico, peca na diversidade e fidelidade histórica .
Sobre a história de “O Morro dos Ventos Uivantes” (2026)
O Morro dos Ventos Uivantes conta a história das famílias Earnshaw e Linton. Centrada em Catherine Earnshaw (Margot Robbie) e Heathcliff (Jacob Elordi), um romance intenso surge para destruir a vida dos dois jovens. O filho adotado do inquilino e Catherine entram em um jogo de obsessão, rejeição e vingança, ao mesmo tempo no qual tentam se distrair com essa louca paixão.
Entenda o final de “O Morro dos Ventos Uivantes” e como se diferencia do livro:
No filme, Catherine morre antes de ter filhos. Heathcliff permanece devastado e desolado. A história termina com seu luto. Não há herdeiros, nenhuma segunda geração, nenhuma consequência gradual ao longo de décadas. A história se limita a perda. Isso seria o equivalente a primeira parte do livro.
Já no romance, Catherine morre após dar à luz uma filha, Cathy. Dessa criança surge a segunda metade da história. Isabella dá à luz um filho doente de Heathcliff. O filho de Hindley, Hareton, cresce sem educação e rude sob o domínio de Heathcliff.

Anos se passam. A jovem Cathy e Hareton, inicialmente distantes e ressentidos, finalmente se aproximam. Ela o ensina a ler; ele recupera sua dignidade. Em sua união reside a redenção, uma frágil esperança que surge dos destroços das paixões de seus pais. Heathcliff, assombrado pela memória de Catherine, definha e morre em seus antigos aposentos. As propriedades são restauradas. Os pântanos sussurram sobre fantasmas em paz.
O filme deixa de lado esse arco narrativo. Ao optar por este caminho, O filme, em escolhe a ferida eterna em vez da cura gradual e redenção. Deixa-nos um mundo onde a violência do amor não encontra contrapeso, não encontra a cura e pincipalmente não encontra a remissão. Os fantasmas podem até continuar a vagar, mas não há corações pulsantes para acertar as contas ente os vivos.
A Morte está lá, mas não há aprendizado, somente a dor. Enquanto a tempestade nos invade o peito no final de tudo nos perguntamos se está é de fato uma história de amor, o quanto se é possível superar?
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